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A Questão da Credibilidade da Equipe Econômica

Escrito por Armando Castelar.

Nesta sexta, 25 de abril, o Valor traz duas interessantes matérias cujo pano de fundo comum é o desafio da Presidente Dilma Russeff em restabelecer a credibilidade da política econômica em um eventual segundo mandato.

O artigo de Cristiano Romero – “Equipe de Dilma prepara agenda de transição” -- traz uma agenda básica para dar “’institucionalidade’ à política fiscal” (http://bit.ly/1fevSLZ). O artigo conclui que, em um segundo mandato, a Presidente vai seguir uma política intermediária entre a “Nova Matriz Econômica” e “uma agenda mais ortodoxa”. Isso significaria ir “melhorando um pouco a gestão fiscal e mantendo o Banco Central com alguma autonomia, embora não muita”.

O próprio uso do gerúndio na descrição de Cristiano Romero já traduz a percepção de que muito pouco ou nada irá mudar, pelo menos nas intenções da Presidente. A agenda de medidas na agenda fiscal também revela esse espírito de fazer algo sem mudar a essência. A agenda requenta medidas já anunciadas antes, como rever as regras do seguro desemprego, e algumas são próximas ao programa de contenção de gastos correntes que a Presidente, enquanto Ministra da Casa Civil, taxou de “rudimentares”. De institucionalidade mesmo a agenda tem muito pouco. Em especial, não há nenhuma proteção contra a contabilidade criativa.

O artigo de Tainara Machado, Arícia Martins e Vanessa Jurgenfeld – “Para Economistas, Tombini mudaria pouco a Fazenda” – vai na mesma toada do gerúndio utilizado por Cristiano Romero (http://bit.ly/1nu3wzY). Segundo os entrevistados, colocar Tombini no lugar de Mantega e alçar Luiz Pereira à presidência do BC seria uma forma de mudar e ao mesmo tempo manter tudo na mesma. Como observa Flávio Serrano na matéria, “Estamos precisando de cabeças diferentes, e não de nomes diferentes”.

A influência da credibilidade da equipe econômica que vai assumir em janeiro de 2015 tem sido bastante analisada por quem está tentando traçar cenários para o ano que vem. Isso porque uma equipe com credibilidade vai ser capaz de trazer a inflação para a meta com custo mais baixo em termos de taxa Selic e desaceleração do PIB. Os valores são significativos.

Há tempos tenho a visão de que em caso de reeleição o governo não irá voluntariamente mudar a essência da política econômica, limitando-se a reformas marginais (ver, por exemplo, http://bit.ly/1feQB2g). Possivelmente não será em 2015, mas em algum momento de um eventual segundo mandato de Dilma Rousseff as coisas perigam de piorar o suficiente para que reformas mais drásticas se façam necessárias. Nesse momento, o custo de não ter uma equipe com alta credibilidade será grande. Se vai ser suficiente para mudar a forma de pensar da presidente é outra questão.

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