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Mais Boas Notícias nas Contas Externas

Escrito por Armando Castelar.

Hoje o Banco Central (BC) divulgou os resultados do balanço de pagamentos para maio de 2017, trazendo mais uma série de bons números sobre nossas contas externas. Ressalte-se o registro de mais um saldo mensal positivo em conta corrente (US$ 2,9 bi), acompanhado de uma robusta entrada de investimento direto no país (US$ 2,9 bi), que sinalizam uma confortável posição em termos de nossa capacidade de financiamento externo.

O forte ajuste nas contas externas realizado nos dois últimos anos pode ser visualizado no Gráfico 1. Depois de registrar um saldo negativo recorde de - 104 bilhões de dólares (- 4.3% do PIB) em 2014, nossas transações correntes se ajustaram continuamente até atingir um déficit de US$ 18,1 bilhões no acumulado em 12 meses até maio (1,1% do PIB): ainda um resultado negativo, portanto, mas bem menor que antes. O BC prevê que o ano feche com déficit de US$ 24 bilhões, em linha com a estimativa dos analistas de mercado (US$ 23 bi).

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Esse déficit deve ser facilmente financiado pelas entradas de investimento direto no país, que já há alguns anos oscila em torno de US$ 80 bilhões no acumulado em 12 meses (Gráfico 2). O BC prevê que 2017 feche com entrada de US$ 75 bilhões nessa rubrica. Recursos suficientes para cobrir o déficit em conta corrente, acomodar as elevadas amortizações de dívida privada e ainda permitir uma expansão nas reservas internacionais.

Essa posição confortável nas contas externas ajuda a explicar porque a crise política teve impacto limitado sobre o preço dos ativos. A baixa inflação também: O BC prevê que a inflação acumulada em 12 meses caia para 2,7% em agosto; o mercado antevê uma redução para apenas 2,5%. As explicações nos dois casos são parecidas: forte alta na produção agropecuária, reduzindo o preço dos alimentos e expandindo as exportações; e uma brutal contração na demanda doméstica, derrubando preços e importações, de bens e serviços.

No todo, esses indicadores traçam uma narrativa que poderia ter sido tirada de uma obra de realismo mágico: os dois grandes vilões da história econômica brasileira, as contas externas e a inflação, seguem super bem-comportados e ainda assim o PIB não reage, nem o mercado de trabalho. O país está travado, pelos investimentos mal feitos, pela perda de competitividade, pela baixa produtividade dos trabalhadores desempregados, pelo elevado endividamento. É uma crise com novas bases, que vai levar tempo para resolver.

E, ainda que quase ausente da análise cotidiana, continua pesando sobre o cenário a dinâmica insustentável das contas públicas. O atraso na discussão da reforma da previdência, que reduz sua chance de ser aprovada antes de 2019, pouco repercute no preço dos ativos, permitindo que se alongue essa fase de espera, “de deixar como está para ver como é que fica”. Não é miopia, há razões para se ter paciência, mas por outro lado a situação não se destrava e se fica sem horizonte, sem saber por quanto tempo poderá perdurar essa estranha situação de medíocre calmaria econômica. Como um equilibrista andando sobre o precipício, porém, é possível que cheguemos do outro lado sem uma grande crise.

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